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A Warren Publishing foi a pioneira no lançamento de histórias em
quadrinhos em preto-e-branco nos anos 60 com a finalidade de, entre
outras coisas, contornar as restrições do Código das Histórias, adotadas
pela indústria em 1954. O código foi muito duro com os quadrinhos de
horror e barrou especificamente vampiros, lobisomens, violadores de
túmulos e zumbis. Após o formato estabelecido na revista Famous Monsters
of Filmland
, a Warren introduziu sucessivamente dois quadrinhos de horror,
Creepy and Eerie em 1964 e 1965, respectivamente. Ambos foram
bem-sucedidos e tinham histórias de vampiro. Montaram o palco para a
introdução de Vampirella em 1969, uma nova revista em quadrinhos de vampiros, e Dark Shadows, lançada pela Gold Key, que foram os dois
primeiros quadrinhos de vampiro que surgiram após a implementação do
Código em 1954. Vampirella, a personagem desenvolvida por Forrest J. Ackerman, era um pouco diferente.

 


 


Em primeiro lugar, era mulher, e vampiras eram raras nos quadrinhos, especialmente em papéis-título. Segundo, ela não fazia parte dos mortos-vivos; pelo contrário, ela viera do espaço sideral. De acordo com a história, ela era oriunda do planeta Drakulon, um planeta moribundo onde o sangue tinha substituído a água como líquido de sustentação da vida. Vampirella tinha vindo à Terra, onde havia um suprimento normal de sangue para sobreviver. Foi retratada como uma linda mulher de cabelos escuros, entre 18 e 20 poucos anos, com uma roupa reduzida que escondia pouco seu corpo voluptoso. Barbarella, uma personagem desenvolvida pelo artista francês Jean-Claude Forest e assunto de um filme de Roger Vadim, foi a inspiração direta para Vampirella, cuja roupa vermelha tinha um distintivo de morcego logo abaixo do umbigo. Quando sorria seus caninos prolongados ficavam bem expostos. Tinha habilidade de se transformar em morcego. Vampirella era tão endiabrada quanto sexy. Estava sempre à procura de sangue - ou o seu equivalente, mas como era a heroína, não tirava de ninguém sem motivo. Estava sempre pesarosa sobre as escolhas que sua própria sobrevivência lhe fazia pesar nas costas. Através dos anos, Vampirella foi atirada contra uma vasta gama de inimigos; entretanto, a força contínua do mal que ela enfrentava era o culto ao Caos.

 

 

 

 

 

 

No processo, Conrad e Adam, descendentes do caçador de vampiros Abraham Van Helsing, foram apresentados como caçadores de vampiros contemporâneos, embora Adam tenha se alinhado logo a Vampirella. O surgimento desses dois personagens ligados ao romance Dracula de Bram Stoker assinalou também o retorno do principal personagem e uma das mais interessantes revisões do mito de Drácula. Despertado no mundo contemporâneo, o ser cósmico conhecido como a Feiticeira envia Drácula de volta a 1890 para desfazer alguns danos que tinha promovido e para reverter o processo que o tinha transformado em vampiro. Durante sua conversa inicial, Drácula revela que ele também provém de Drakulon. Começa a usar a magia para resolver os problemas do planeta, mas entra em contato com o Caos, em vez de completar sua tarefa. Caos tinha originalmente forçado a vinda dele para a Terra. Vampirella concorda em ajudá-lo a se redimir.Quando Drácula e Vampirella se encontram com os principais personagens de Dracula, o romance, o problema básico para Drácula era descobrir um meio de eliminar a sua sede de sangue. Depois que Lucy Westenra é ressuscitada ao ser retirada a estaca de seu coração - sua decapitação foi ignorada, Drácula se lembra de seu amor por ela.


É capaz de manter-se afastado de Lucy, mas não se contém quando se aproxima de Mina Murray. Lucy o vê atacar Mina e morre. A despeito da ajuda de Vampirella, a Feiticeira decreta que Drácula é um fracasso e ele é removido da história pelo menos por um tempo. A primeira edição de Vampirella apareceu em setembro de 1969. Forrest Ackerman foi seu primeiro escritor e o prestes a se tornar famoso Frank Franzetta foi o artista original. A equipe original foi preenchida com Trina Robbins e Tom Sutton. Ackerman foi seguido de Archie Godwin e uma miríade de artistas diferentes com o correr do tempo, notadamente John Cochran, T. Casey Brennan e Steve Englehart (com o pseudônimo de Chad Archer). Fanzetta e Sutton foram posteriormente substituídos por Jose Gonzale, cuja imagem de Vampirella tornou-se a mais identificada. Vampirella tornou-se a história em quadrinhos mais duradoura de todos os tempos e sua última edição - nº 112 apareceu em fevereiro de 1983. Nesse meio tempo, em meados dos anos 70, Ron Goulart tinha produzido uma série de seis romances Vampirella adaptados da história em quadrinhos. Nos anos 80, na atmosfera de interesse renovado pelos vampiros, a Warren Publications reviveu Vampirella em uma única edição - nº 113, mas não deu continuidade à série. Em 1991 a Harris Comics, tendo obtido os direitos de Vampirella, relançou o considerou o melhor da antiga série como um novo seriado de quatro capítulos, e em 1992 a Harris lançou novos quadrinhos Vampirella, com histórias novas escritas por Kurt Busiek, pela primeira vez em cores. A Harris também lançou uma série de reimpressões das velhas histórias de Vampirella, como Vampirella: Transcending Space and Time - 1992, Vampirella's Summer Nights -1992 e Vampirella: A Scarlet Thirst -1993.


ÁLVARO DI MOYA
é jornalista, escritor, produtor e diretor de cinema e televisão. Nasceu em 1930, é professor aposentado da Universidade de São Paulo e autor de vários livros, chargista, ilustrador e produtor de quadrinhos com temática nacionalista. Pioneiro no Brasil no estudo dos comics, foi um dos organizadores da Primeira Exposição Internacional de Quadrinhos, em 1951, na cidade de São Paulo. Correspondente da revista Wittyworld, dos Estados Unidos, foi colaborador de enciclopédias editadas na França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Escolhido pela Universidade La Sapienza, de Roma, como único representante da América Latina para discutir o centenário das comics.
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